O meu testamento

O MEU TESTAMENTO:
Quando eu morrer vou ao ombro
Levem-me devagarinho
Podem dar-me algum tombo
Que me matem no caminho

Eu quero morrer cantando
Já que chorando nasci
A cantar lá vou andando
Lembrando-me sempre de ti

Não quero que chores nem rezes
Quero que também concordes
Não faças barulho, por vezes
Estou a dormir não me acordes

Já conheço esse caminho
Vou assim de olhos fechados
Comigo vai um anjinho
A quem revelo os meus pecados

Quero levar uma caneta
E um papel para escrever
Continuo a ser poeta
Mesmo depois de morrer.
Mário Pão-Mole

A idade e os amores - Mário Pão-Mole

A idade e os amores

Até aos dezoito não se ama
É só a sofreguidão
Pois só se pensa na cama
Com amor de perdição
Em todo o tempo a pensar
Que temos muito que sofrer
Se esse amor acabar
Nós também vamos morrer

Aos vinte e cinco o pensar
Já tem outra animação
Se este for e não voltar
Vou conceder-lhe o perdão

A seguir aos vinte e cinco
Pensamos no casamento
As preocupações que sinto
Não saem do pensamento

Isto é para a vida inteira
Tenho muito que pensar
Será que faço asneira
Com esta pessoa casar?

Aos quarenta já se ama
Se por acaso acertámos
O entendimento dá chama
Ao amor que encontrámos

Aos sessenta amor sincero
Sem a atracção carnal
Sem fazer disto mistério
Uma por semana é normal

Aos setenta continua
E só vais lá quando calha
Quando a agarras toda nua
Ela grita! Seu canalha

Aos noventa já só há
Aquele amor de uma vida
Tu podes cair, vê lá
Segura-te a mim querida
Mário Pão-Mole,

À luz das velas - Mário Pão-Mole

À LUZ DAS VELAS.
A casa tem quatro cantos
Cada canto quatro velas
Acesas são um encanto
Quero olhar os quatro cantos
Não me canso olhar para elas

Dão uma luz amarela
Uma luz bem perfumada
Só vendo, que luz aquela
Que eu vejo na janela
Quando já é madrugada

Madrugada ainda escuro
Vem da luz do meu pensar
A aguardar um futuro
Num tempo mais imaturo
Mas que te possa tocar

Tocar tua pele sedosa
Essa pele bem bronzeada
As curvas bem sinuosas
À luz das velas cheirosas
Espera um pouco, ò madrugada

Ser noite assim por mais tempo
Deixa-me completar
Até findar este momento
De tudo o que invento
Enquanto estou a sonhar.
Mário Pão-Mole

O Conselho

O CONSELHO
Olhes p`ra frente ou p`ro lado
Sempre de cabeça erguida
E nunca foste mal tratado
Por o que fizeste na vida

Um homem que assim se preza
Tem que viver deste jeito
Por tudo que tenha feito
O orgulho assim lhe reza
Que seja polido à fresa
No destino é embalado
Por maus bocados passado
Por tudo que tenha sofrido
Com o queixo bem erguido
Olhas p`ra frente ou p`ro lado

Nunca te deves queixar
Porque ninguém te dá nada
Chega bem a tua enxada
Para fome não passar
Todos vão acreditar
Que tu estás bem na vida
Com esta etapa vencida
Continuas a avançar
Continua a caminhar
Sempre de cabeça erguida.

Respeita sempre o teu amigo
Ensina-o a respeitar
Para poder confiar
E estar sempre contigo
Faz tudo como eu digo
Ficará sempre a teu lado
Ele assim fica ligado
Por um laço de amizade
Com toda a sinceridade
Nunca serás mal tratado.

Este conselho eu dou
Aos filhos e aos amigos
Seguindo isto como artigo
Podes ver bem quem eu sou
Nos locais p`ra onde vou
A amizade é devida
Onde não há, é nascida
Assim gosto de viver
Mais tarde vens receber
Por o que fizeste na vida.
Mário Pão-Mole

O que é agradável, passa depressa.

O que é agradável passa depressa.
Foi agradável sonhar
Agradável foi a vivência
Num mundo sem violência
Onde eu estava a habitar
Ar puro para respirar
Sem medo de qualquer doença

Não havia armas de fogo
Nem nada de explosivos
Tudo era inofensivo
Assim vivia o nosso povo
Estava eu em Porto Covo
Onde se lia o aviso

Não faças mal a ninguém
Não faças poluição
Não deites lixo para o chão
É ambiente, trata-o bem
Tudo isto te convém
Como nosso cidadão

Caçadores de pau e cão
Polícias, só de avisar
Como te tens de cuidar
Quando andas com bordão
Não o usares como bastão
Podes alguém magoar

Num mundo de amor assim
Onde era bom habitar
Se o conseguíssemos criar
De todas as armas dar fim
É tão bom sonhar assim
Fiquei triste ao acordar.
Mário Pão-Mole

Sonhei contigo

SONHEI CONTIGO
Esta noite eu sonhei,
Sonhei que estava a sonhar.
A andar te encontrei,
Eu te cumprimentei,
E ficamos a falar.

Esta noite eu sonhei,
E foi um sonho tão lindo.
Eu na tua mão peguei,
Por impulso a beijei,
Do que tu ficas-te rindo.

O sonho é realidade?
Isso é que eu não sei.
Tua vós em liberdade,
Cristalina realidade,
A ouvi-la eu sonhei.

Eu não estava a dormir.
Sendo assim não era sonho.
Tua vós estava a ouvir,
E vi-te também a rir,
Era realidade suponho.

Ás vezes agente sonha,
Com coisas tão reais,
Como ver uma cegonha,
Legumes ou azeitona,
Ou um bando de pardais.

Eu esta noite sonhei,
Na outra sonhado, eu tinha.
Que moravas em alfama,
Eu estava na tua cama,
Acordei estava na minha.

Eu esta noite sonhei,
Que te tinha nos meus braços.
Acordei não te encontrei,
Com tantas voltas que dei,
Fiz o lençol em pedaços.
Mário Pão-Mole.

O Caminho

O CAMINHO
Quem me dera caminhar
Por onde não há caminhos
Por matos, rochas ou mar
Como quem anda a voar
Procurando os teus carinhos

Como as nuvens como o vento
Como o milhafre do rochedo
Viver só esse momento
Sem medo de passar tempo
E sem conhecer esse medo

Levando só por companhia
A melhor recordação
A tua fotografia
Ela que só me dizia
Amor do meu coração

Por mais alto que voasse
Levando esse teu amor
Não havia frio que entrasse
Nem vento que atrapalhasse
Nem sofrimento com dor

Só pensando nos teus braços
Teus beijos e teus carinhos
Por mais que forcem os laços
Mais apertados os faço
Percorrendo esses caminhos.
Mário Pão-Mole